quinta-feira, 31 de março de 2011

Danilo, 34 anos

Como lido com isso? Fácil. Eu bebo. Brincadeira. Eu simplesmente vou levando e surtando. Tenho a sensação que as decisões mais importantes da minha vida são tomadas por outras pessoas e isso me deixa completamente irado. Pois detesto ser controlado.
Tudo começou quando me apaixonei pela prima distante do meu pai. Na época, eu tinha 28 anos e ela 23. Fiquei alucinado. Depois de algumas investidas, a gente começou a namorar. Eu ainda morava com meus pais e ela morava com uma prima. Tudo ia bem, até que a prima dela casou e a Mari não tinha pra onde ir. Ela estava terminando a faculdade de arquitetura, vivia de mesada e não tinha como se sustentar. Eu, por outro lado, já estava galgando uma posição melhor na empresa, porém ainda não estava pronto pra morar junto. Eis que minha mãe teve a infeliz idéia de convidá-la pra ficar em casa até tudo se ajeitar. E, óbvio que ela foi.
Fiquei puto da vida com minha mãe. Eu amava a Mari, mas ela ir morar lá, teria que ser, no mínimo, uma decisão nossa. Mas D. Helena disse que antes de ser minha namorada, era uma pessoa da família e temos a obrigação de estender a mão. Que seria só até ela se formar e bláb blá blá...
Nossa vida virou de cabeça pra baixo. Meu trabalho é muito estressante e esse negócio da mulher querer saber como foi seu dia, é um SACO! Eu só queria chegar em casa, tomar um banho, jantar, tomar uma cervejinha, ver o jogo e capotar.
Aí quando eu não respondia ou não dava a atenção ao "resumo do dia" a gente tinha a tal da D.R. Cacete! Imagina tomar paulada o dia inteiro no serviço, chegar em casa doido pra relaxar, sem vontade nenhuma de revisar as merdas que aconteceram no trampo e ao invés da sua mulher te dá uns beijinhos e quem sabe uma rapidinha, ela acha que você tá diferente, tá distante, que algo aconteceu, que você não partilha os sentimentos e blá blá blá...é foda!
Em alguns meses a situação estava impraticável mas graças à Deus, ela se formou, arrumou um estágio e foi morar sozinha, numa kit.
Foi ótimo. A gente já não se via por obrigação, mas por saudade, por vontade. O nosso tempo era algo controlável.
Depois de um ano que a Mari foi morar sozinha e eu praticamente dormia lá todos os dias, resolvemos juntar as tralhas.
Pra mim, era simples. Eu cataria as minhas coisas na casa dos meus pais, mudaria pro apê dela e dividiríamos as contas.
Quando achei que finalmente iria tomar as rédeas da minha vida, comecei a passar mal. Eu estava num meio de um projeto importante, quando senti falta de ar. Fui parar no ps. Passei a noite inteira lá. De manhã, liguei pro meu assistente dizendo que iria à tarde, pra ele ir tocando o trabalho sozinho. Chegou a tarde e eu não fui. O médico achou melhor me internar para realizar uma bateria de exames. Estava suspeitando um princípio de infarto. Liguei para empresa e tentei resolver as coisas via telefone. Depois de algumas tantas ligações, meu celular fora confiscado por ordens médicas. Precisava descansar. Mas isso só agravou meu quadro. Estava muito ansioso por conta do projeto.
Fiquei dois dias internados. Quando retornei ao trabalho, o meu assistente estava no comando sob a supervisão do gerente. Foi uma apunhalada nas costas, mas o projeto tinha prazo para ser entregue e se não fosse ele, seria outro em meu lugar. E como ainda estava em observação, sendo monitorado por aqueles aparelhinhos de coração e pressão, aproveitei as férias forçadas de uma semana para ver a minha saúde e encaixotar minhas tralhas.
O resultado dos exames coincidiram com a entrega do projeto.
O projeto fora bem sucedido e os exames não deram em nada. O médico me disse que era pico de estresse e me encaminhou para um psiquiatra.
Lá no psiquiatra, logo nas primeiras consultas, ganhei remédio pra dormir, remédio pra acordar, remédio pro humor e a notícia que o tilt que me deu, não era por conta do projeto no trampo, mas porque eu estava com TPN. Sabe o que isso significa? Tensão Pré Nupcial. Ele ainda deu uma sacaneadinha dizendo: "Quando casar, passa"
Casei há 05 anos e quer saber? Não passou. A gente tá no meio de uma crise. Mais uma pra coleção. Mas estamos tentando.
Assim ó, amo muito a Mari. Ela é linda, gostosa, inteligente, mas sei lá, perdeu aquela leveza. Sei que a carreira dela tá exigindo muito, mas todo dia ela chega tarde, estressada e reclamando de tudo, de todos e o pior: de mim. Tipo que não lavei a louça ou que lavei mas não sequei.Ou que sequei mas não guardei. Ou que guardei mas no lugar errado. NADA que eu faça, agrada. NADA que eu diga, tá certo.
E pra agravar a situação, ela tá com papo de querer filhos. Como assim?! A gente não tá dando conta de nós mesmos. Mas por outro lado, amo muito a Mari e quero que a gente se acerte
Talvez eu ceda à pressão. Fico nervoso de pensar, que mais uma vez, não decido nada importante na minha vida. Simplesmente cedo.
Parei com os remédios, mas continuo indo na terapia. O terapeuta me diz que muitas vezes a dor da separação é menor do que a da sustentação. Tá, mas quando saber que estamos sustentando um relacionamento fracassado? Quando saber que é hora de recuar, se ainda se ama?

Um comentário:

  1. Eu tive um namorado que a-ma-va discutir a relação. Sempre brincava que ele era a mulher da dupla, porque eu não tinha a menor vontade de contar como foi o meu dia. Concordo que é um saco!

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